A Oração (2) - É impossível caminhar sem ela
No último artigo mencionamos que a oração nos conecta imediatamente ao mundo espiritual. “A porta só abre pelo lado de cá”, muito se diz. Isto significa que o auxílio do Reino de Deus necessita do nosso chamado, da nossa abertura voluntária a receber ajuda e orientação espiritual.
Todavia, além deste importante aspecto de “religação” que a oração proporciona, há uma outra propriedade dela que é pouco conhecida da maioria das pessoas. E o que seria isso? A resposta é que a oração, na visão do Pathwork, atua muito eficazmente em nossa dimensão mental, ordenando e reorientando os nossos pensamentos.
A oração como reorganização do pensamento
A maioria de nós já sabe do poder que o conteúdo do campo
emocional tem na criação de nossa vida. O que não é tão óbvio é o papel de
nossos pensamentos nesse mesmo processo criativo, bem como o fato de a oração
ser um recurso com relevante ação positiva nesta dimensão mais consciente e
racional de nosso ser.
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| A oração traz clareza para o nosso campo mental e sua prática desenvolve a concentração |
Devemos aos nossos padrões de pensamento a mesma atenção e
cuidado que precisamos dispensar às imagens e sentimentos. Estes podem ser mais
facilmente acessados por meio da meditação. A oração, por sua vez, acessa mais
diretamente às nossas formas-pensamento. Em oração, podemos gradativamente
reorientá-las, bem como pedir auxílio para esse processo de limpeza do campo
mental.
O Guia afirma que para uma nova criação positiva acontecer
ela precisa nascer primeiro no pensamento. Um conceito mais realista ou uma
perspectiva nova para a vida e suas possibilidades precisa, antes, surgir e ser
cuidadosamente cultivada em nossa mente consciente. Ou seja, um padrão de
pensamento renovado precisa ser estabelecido. A oração tem atuação importante neste
processo. Por essa razão, quem ainda não desenvolveu o hábito da oração deveria
focar em sua construção, começando de forma gradual para, mais adiante,
consolidá-lo definitivamente em seu caminho pessoal.
Oração e concentração
Vamos abordar agora um outro aspecto benéfico da prática
regular da oração em nosso campo mental: a concentração. A oração nos liga ao
nosso mundo interior e, desta forma, naturalmente nos induz ao desenvolvimento desta
importante habilidade que, inclusive, é fundamental para outra prática: a
meditação.
A capacidade de concentração é um requisito para a
meditação. Muitas pessoas têm real dificuldade para meditar, pois lhes falta a
capacidade de se concentrar — de colocar o foco, sem dispersão, num lugar
interno específico. Por essa razão, a oração é também, em certa medida, um
exercício preparatório para a meditação. Logo, percebe-se como a oração pode
se tornar o fio condutor do caminho espiritual ao realizar uma contínua higiene
de nosso campo mental, fortalecer gradativamente nossa capacidade de
concentração e, posteriormente, viabilizar um estado interno que sustente a
prática meditativa.
Para que a prática da oração proporcione o fortalecimento da
capacidade de concentração, é preciso que ela seja feita de forma regular e
frequente. Sendo um dos tripés do trabalho pessoal ― os outros dois: revisão
diária e meditação ― , o Guia sugere que haja uma prática principal diária de
oração que seja um pouco mais extensa e preferencialmente feita no mesmo local
e horário e, eventualmente, outras curtas orações de poucos minutos, logo ao
iniciar ou ao encerrar o dia, no caso dessas já não serem a oração principal.
No que diz respeito à sugestão de se fazer a oração mais extensa, tanto quanto
possível, no mesmo local e horário, o Guia pede para que isto não seja
percebido como uma forma de rigidez, mas apenas como uma conduta que facilita a
conexão com o mundo espiritual e que, por isso, traz vantagens significativas
ao processo.
Quanto ao período da oração principal do dia, o aluno deve
buscar a medida de tempo que lhe parece razoável e praticável. Desde o início
deve-se buscar a própria autonomia e autorresponsabilidade e isso inclui tomar
decisões que se adaptam ao seu perfil e possibilidades do momento.
No caso desse momento de oração mais extenso a que o Guia se
refere, o mais importante é que haja um mínimo de dinamismo e vivacidade em sua
prática. O próprio Guia alerta que, se a prática porventura estagnar na mesmice
— o que ocorre quando nos debruçamos de forma repetitiva e rígida sobre os
mesmos assuntos —, o melhor é descontinuá-la temporariamente, substituindo este
investimento de energia por uma oração mais curta ou se voltar para outros
aspectos do caminho que possam ser naquele momento mais bem favorecidos pela
disponibilização de um acréscimo de atenção. Oportunamente, com o movimento
natural da vida, poderemos retomar com mais foco e energia a prática da oração
de uma forma mais extensa e aprofundada.
Ressalvado o cuidado de que se deve evitar que a prática se
cristalize numa rotina de pouco movimento interno, é importante ao pathworker
estar consciente de que a oração é requisito essencial do caminho espiritual. Verdadeiramente,
não há como prescindir dela. Não há meio de o caminho de autoconhecimento e
autotransformação se desdobrar de forma plena sem a prática regular da oração.
Para além de trazer clareza para o que se passa em nossa consciência e em nossa
vida interior e manifesta, e de também fortalecer nosso poder de concentração
que viabiliza a prática meditativa, o hábito da oração nos sintoniza com a
Graça de Deus, que é impessoal e não faz distinção quanto àqueles sobre os
quais estenderá a sua luz, bastando que em primeiro lugar sejamos nós a
buscá-la. Talvez seja até por este último aspecto que o Guia afirma que a
oração tem o condão de nos conferir uma energia que emana humildade. Se
considerarmos o quanto a verdadeira humildade é um ativo espiritual árduo de
ser conquistado e o quanto a sua emanação afeta positivamente o inconsciente
das outras pessoas, favorecendo a qualidade do relacionamento interpessoal,
daremos a oração a relevância que ela merece em nosso caminho.
Muita paz!

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